Emergência climática: última década foi a mais quente da história, com impactos severos em SC e no Brasil
Relatório da ONU confirma que a última década foi a mais quente já registrada. Veja como os extremos climáticos, chuvas e secas afetam SC.
O relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) no Dia Mundial da Meteorologia, trouxe um alerta máximo: o período de 2015 a 2025 foi a década mais quente já registrada na série histórica, iniciada em 1850. O ano de 2025 também figurou entre os mais quentes da história, marcando 1,43°C acima dos níveis pré-industriais.
No Brasil, a realidade acompanha a gravidade do alerta global. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o país viveu recentemente os seus dias mais sufocantes, com 2024 sendo classificado oficialmente como o ano mais quente da história brasileira (0,79°C acima da média), seguido por 2025, que também entrou para o topo do ranking como o sétimo mais quente desde 1961.
Os reflexos em Santa Catarina
As consequências desse superaquecimento não estão distantes. Em Santa Catarina, os extremos climáticos se tornaram a nova regra. A Epagri/Ciram, órgão estadual de monitoramento, tem registrado um aumento expressivo na frequência e severidade de fenômenos que impactam diretamente a economia e a vida da população.
Enquanto a região do Grande Oeste e Meio-Oeste tem lidado frequentemente com secas prolongadas e estragos em lavouras e mananciais, outras áreas do estado sofrem com inundações devastadoras, ciclones e chuvas torrenciais.
“A humanidade acaba de passar pelos onze anos mais quentes já registrados. Quando a história se repete onze vezes, não é mais uma coincidência. É um chamado à ação. A nossa dependência de combustíveis fósseis está desestabilizando tanto o clima quanto a segurança global”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Oceano em ebulição e desequilíbrio energético
O documento da WMO inclui um balanço preocupante sobre o equilíbrio energético da Terra. O aumento desenfreado das concentrações de gases de efeito estufa (como dióxido de carbono e metano) retém o calor na atmosfera.
Como resultado, 91% desse excesso de calor é absorvido pelos oceanos. Em 2025, o calor armazenado nas águas marinhas atingiu o nível mais alto já registrado. Esse aquecimento profundo agrava o derretimento das geleiras (impulsionando a elevação do nível do mar) e causa danos irreversíveis, como a degradação dos ecossistemas marinhos e a perda de biodiversidade.
Impactos diretos na saúde e no trabalho rural
A WMO também lançou um alerta sobre os impactos da mudança climática na saúde e na economia. Atualmente, mais de um terço da força de trabalho global — cerca de 1,2 bilhão de pessoas — enfrenta riscos graves relacionados ao calor intenso no ambiente de trabalho.
Em estados com forte perfil agrícola e de construção civil, como Santa Catarina, a exposição ao calor extremo causa perdas de produtividade, coloca a saúde dos trabalhadores em risco e afeta a segurança alimentar, já que o clima imprevisível compromete as safras.
A Secretária-Geral da WMO, Celeste Saulo, reforçou a urgência da situação: “No dia a dia, nosso clima tem se tornado mais extremo. Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas e inundações causaram milhares de mortes e geraram bilhões em prejuízos econômicos. Precisamos de ações preventivas imediatas, e não apenas reativas”.
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